Sabe meu filho, eu estava pensando, Nunca me permiti ser frágil.
Quando era pequena, os sofrimentos pareciam maiores, mesmo assim eu não me fragilizava, lembro de me fazer de vítima, mas sempre partia pra cima das dificuldades.
Tenho lembranças de momentos em que deveria ter me dado "férias" do remo. A gravidez é uma delas, nos deixa fortes sim, mas eu ficava sozinha, tocando meu negócio numa cidade com poucos amigos, seu pai so vinha nos fins de semana.
Deveria ter me atracado ao porto, mas não... eu assumi a frente da Nau.
Já vivi boas tempestades, o barco quase virou algumas vezes, mas eu voltei a remar filho. Todas as vezes o sol brilhou novamente, e o mar voltou a ser calmo.
Vou te confessar: hoje, eu queria perguntar se ainda falta muito, mas eu não tenho a quem fazer essa pergunta. Sei que sou capaz de continuar remando por muito tempo ainda, mas é que tem dia que a pressa de chegar aperta. Aí olho para você, meu companheirinho de viagem, e esqueço os perigos de navegar.
Hoje, o melhor é esticar o corpo no barco e deixar-me seguir á deriva. Só Hoje.
Amanhã, iço as velas novamente.
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