sexta-feira, 17 de maio de 2013

Memórias

Tenho sentido seu pai distante. Luto diariamente para resistir a tentação de pedir que ele fique. Não devo, não podemos. É uma alegria e um alívio estar escrevendo a respeito disso para você, como eu previa, as lembranças vão ficando velhas, não são mais frescas. As vezes deixo ele ir embora, mas aí percebo que falta alguma coisa, busco-o novamente. Talvez eu sinta para sempre esses arrepios, como quem tem uma doença crônica, que de vez em quando finca e maltrata. Depois passa. E volta.
Ainda uso as mesmas lentes de amor para ler nossa história. Ao contá-la para você, parece que vou deixando migalhas pela estrada que fica pra trás, dessa forma não me perco no caminho que segue.
Se você prestar atenção filho, vai descobrir que existem lembranças que despertam encantos, certezas, tremores. Lembranças que tem alma, quando cultivadas trazem a mesma sensação vivida, por isso escolhemos guardá-las.
Experimente pegar um lembrança, e vesti-la. Até o cheiro você consegue sentir.

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