Eu precisei gritar o que eu sentia.
Fiz isso calada. Funcionou.
É normal que a gente se sinta com o maior problema do mundo. O maior problema é sempre o nosso, porque somos nós que temos que resolve-lo. E o meu maior problema não era a morte, pois, pra ela eu sabia que não tinha solução. Meu problema era descobrir o que fazer da vida e de você, com a morte no meio de nós. Todos os dias eu acordava, meu corpo se levantava, mas minha alma continuava adormecida, você estava ali, presente, latente, pulsando. Reclamando seu direito de mamar, tomar banho e brincar, era pesado pra mim. Ainda tinha a dor pra carregar junto, e ela, pesava muito mais que você.
Para dar conta de tudo isso escrevi, calada, contei pra vida o que sentia. As vezes, era mesmo um pedido de socorro.
Fui crescendo junto com você, acomodando a saudade, até que ela doesse com costume e não me amedrontasse mais.
Desconfio que envelheci bastante. Principalmente se envelhecer for aprender a fazer escolhas. Não topo mais qualquer coisa. Não preciso provar mais nada pra ninguém, nem pra mim mesma.
Foi assim que descobri que consegui realizar um sonho, ao avesso, mas consegui.
Sempre sonhei ser atriz. Não enceno, mas conto uma história. Triste. Porém, contudo, todavia.. linda!!
Não envelheceu.. ficou ainda mais linda.. e a dor, passou, sua história, teve a parte triste, mas partes lindas, alegres, tanta felicidade que transbordava, chego a ouvir as gargalhadas do Bruno, saudade, e agora, nova fase de alegria, Alfredo, praia.. nós.. tudo.. você é merecedora de tudo isso.. sabia que não me canso de dizer que te amo?
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